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Solidão entre muitos: a experiência de viver fora

  • Foto do escritor: Lígia Maria Caetano
    Lígia Maria Caetano
  • 27 de jan.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 28 de jan.

Existem momentos em que morar fora parece um passo grande e cheio de entusiasmo, desses que preenche o peito com um futuro promissor. Mas, em silêncio, o corpo pode ir acusando outras camadas da experiência: o cansaço de não pertencer, o idioma que não chega pela boca no mesmo ritmo em que chega pela cabeça, a sensação de que tudo é “quase seu”, mas ainda não.


Para muitos brasileiros, a vida no exterior é feita de contrastes. Entre o sonho de melhores condições, trabalho e qualidade de vida, existe também um território emocional delicado: a saudade que não tem tradução, a distância das referências, as tentativas de adaptar-se a códigos culturais que ninguém ensina, a oscilação entre o “ser de lá” e o “ser daqui”.


Não é raro que nesse caminho apareça ansiedade, tristeza, irritação, perda de vitalidade, solidão, confusões identitárias ou um corpo que começa a dizer, às vezes com falta de ar, dor no peito, aperto no estômago, aquilo que ainda não encontrou palavras. Assim como não é raro notar o impacto nas relações: com a família que ficou, com o país que acolhe, com as próprias expectativas.


Esse processo não é capricho, nem falta de força.

É o movimento natural de quem tenta construir um lugar interno enquanto negocia um lugar externo. Migrar não é só trocar de território, é reorganizar parte do eu, da cultura, do pertencimento e da história.


Na terapia, esse trajeto ganha espaço e ritmo. O que estava sem nome pode ser sentido com mais organização. O que parecia desajuste pode virar compreensão. Aos poucos, o sujeito vai tecendo uma identidade que não precisa escolher entre culturas, pode existir junto com elas e a partir delas.


E quando há rede, comunidade, rituais e presença - seja pelo idioma, pela música, pela comida, pelo gesto - nasce também um novo contorno de pertencimento. A vida fora pode machucar, mas também amadurecer, ampliar o horizonte e permitir que a pessoa cresça para lados que talvez nem imaginasse.


Se algo disso ecoa em você, se o país que te recebe parece maior do que as palavras que você tem para caber nele, pode ser importante caminhar acompanhado. A terapia pode sustentar essa travessia. Se esse tema te atravessa e você quer conhecer meu trabalho, me escreva por no botão abaixo:


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